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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ficção sem nome.


Boa noite.
Bem vindos ao meu primeiro post.
Vasculhando meus arquivos encontrei está história perdida no meu desktop e me senti no dever de compartilhar. Quem sabe dependendo dos comentários eu não de continuidade a ela? Enfim, uma ótima leitura.

Já quase não era capaz de ouvir os tiros passando sob minha cabeça. Mesmo ferido já não era mais capaz de sentir dor. Sentia-me como uma máquina prestes a desligar, engrenagem por engrenagem parando de girar, prontas para ficarem estáticas, apenas esperando que a ferrugem as consumissem. Apenas minha mente teimava permanecer ligada, como se quisesse que eu refletisse antes da minha morte. Centenas de tiros cortavam o céu num voo rasante e chegavam ao seu alvo sem pena, perfurando seus músculos, queimando sua pele, esvaindo sua vida. Balas são tão frias, são criadas por homens para tirar a vida deles próprios, qual a lógica disso? Bem, óbvio que eu não saberia, afinal, era o atirar de elite das Forças Armadas dos EUA. Meu coração já não bombeava mais sangue, estava morto.

Outubro de 1988.
E tudo começa naquela tarde. Lembro-me como se fosse ontem quando dois caras encapuzados invadiram minha casa na madrugada enquanto todos dormiam. Ainda hoje posso ouvir os gritos da minha mãe a perceber que estávamos sendo assaltados, mas por Deus, como era tola. Fazia muito frio naquela madruga e enquanto ouvia aos gritos mais e mais me enrolava em meio às cobertas como se fossem capazes de espantar meu medo. Então ouvi um tumulto crescente nas escadarias e dois disparos. Era como se uma onde de choque tivesse tomado meu peito e redirecionado aos meus ouvidos, então, mais nada pude ouvir. O medo tomou conta de mim. Será que meu pai havia pego uma de suas armas de seus tempos de exército e acabado com os miseráveis? Perguntei entre meus pensamentos. Mas, ele não usava armas há anos. Não, não podia ser ele. E enquanto perdido em pensamentos terminei por ouvir mais um tiro seguido por um gemido de dor profunda e não pude ficar na minha cama, sabia o que tinha que fazer. Meu pai era atirador de elite nos tempos que servira o exército, não seriam necessários três tiros para matar dois intrusos, os disparos não poderiam ter partido de suas mãos. Corri o máximo que pude sem fazer barulho. Sempre soube onde meu pai guardava suas armas, óbvio que nunca o contei. Atrás de seus livros prediletos na prateleira mais alto da estante em seu quarto. Um trinca semi-aberta, deveria tê-las limpado mais cedo. –pensei. Livros ao chão, não entendia de nomes nem calibres naquela época, mas sabia que servia para matar. Engatilhei a arma como meu pai me ensinava com as de brinquedo –não devia ser tão difícil-.
Caminhei pelo corredor calmamente de longe tive a confirmação que os tiros não haviam sido disparados pelo meu pai. Os dois estavam ao chão, pai e mãe, mas não tinha tempo para ficar observando-os. Corri novamente pelas escadas e quando os dois criminosos olharam para trás tiveram certeza que aquele seria seu ultimo assalto. Dois únicos tiros certeiros. Frios.
(Vinicius Monteiro)

1 comentários:

  1. Haa eu já li essa história...
    vc já mandou uma vez para mim .. e adorei ..
    Deveria postar no Nyah Fanfiction alem daqui também :3

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